 O descanso da tuba
Escrito por bernardore às 17h52
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Fotos: Bernardo Carneiro Já fui tão quente!!! 
Não vejo a hora de te comer!!! 
Dureza ondulante
Escrito por bernardore às 12h17
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Fotos: Bernardo Carneiro Se estas ruas fossem minhas... Eu mandava guardachuvar Em cada esquina, somente carrinhos de frutas
Escrito por bernardore às 11h26
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Fotos: Bernardo Carneiro Amo meu filho!
Escrito por bernardore às 10h39
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Fotos: Bernardo Carneiro Olha o gatinho!!!
Escrito por bernardore às 16h07
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Fotos: Bernardo Carneiro No caminho da escola
Escrito por bernardore às 14h52
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  Fotos: Bernardo Carneiro Reflexos aquáticos em um dia de verão
Escrito por bernardore às 13h30
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Aventuras nos trilhos 

Escrito por bernardore às 13h16
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Coisas Legais da Cidade Administrativa Presidente Tancredo Neves
Cachorro Quente Bernardo Carneiro 16.11.2010 Aqui tem um casal de cães vira latas que transa na hora do almoço e nos horários de saída. Eles se amam loucamente, enquanto uma verdadeira multidão de servidores públicos passa ao lado. Os dois são magrinhos, provavelmente desnutridos, mas têm um fogo incrível. Na hora do cigarrinho eles deitam um ao lado do outro, na grama, ficam se coçando e olhando para o céu. É simplesmente lindo.
Libido em chamas Bernardo Carneiro 17.11.2010 Mulheres do Corpo de Bombeiros, oficiais e soldados, desfilam pelos corredores e elevadores da Cidade Administrativa. Não importa se têm ou não estrelinhas nos ombros, elas brilham de qualquer jeito. São lindas, charmosas e elegantes em seus uniformes operacionais com os cabelos presos, com aquelas botas especiais e boné ou de calças justas, cinto vermelho e camisa de botões. Os homens também têm o direito do fetiche da farda. Socorro! Incêndio no prédio Minas!
Suicídio midiático Bernardo Carneiro 22.11.2010 A CA parece ainda não ter sido cenário de nenhum suicídio, até que se prove o contrário. Talvez seja por falta de dicas! Meu remedinho faixa preta acabou e estou cheio de idéias bacanas. Vale pular daqueles postes bem altos no meio do jardim, meter a mão em uma caixa de alta tensão ou jogar-se na frente do Gonzagão cantando “a vida aqui só é ruim, quando não chove no chão”. Vai ter repórter no IML para entrevistar sua família. Tchauuuu!
Corrida maluca Bernardo Carneiro 25.11.2010 Dirigir em velocidade suficiente, para provocar um acidente envolvendo cinco carros, no estacionamento da CA, deve ser algo bem divertido. O deleite é bater em carros parados nas vagas. Fiquei muito feliz, no final de uma sexta-feira, quando encontrei meu carro estacionado e bastante amassado nas duas laterais traseiras e para-choque. Ele chegou a ser deslocado da vaga e bateu em outro veículo. O carro ficou 35 dias na oficina! Como diz o palhaço Ronald McDonald’s: “Amo muito tudo isso!”
Escrito por bernardore às 13h56
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Até mais tarde Bernardo Carneiro 27.06.2010 Na minha adolescência meu pai dizia que eu poderia ser o seu biógrafo. Comecei, sem saber, a arquivar dados desde criança em passeios, conversas, almoços e descobertas histórico-linguísticas. Ele, certamente, ficaria feliz com esta homenagem, em forma de santinho-discurso-despedida. Gostava de flanar com ele por avenidas, ruas, becos e praças do centro do Rio de Janeiro. Entramos no Real Gabinete Português de Leitura, local do seu primeiro trabalho. Ganhei uma edição dos Lusíadas e registrei meu nome, com uma letra de quem estava sendo alfabetizado. Subimos ladeiras da Gamboa e Santo Cristo, andamos pela rua Jogo da Bola e vimos a Pedra do Sal. Frequentávamos o Mosteiro de São Bento e dávamos pão para os peixes do tanque do claustro, em manhãs de sábado. Aposentou-se em uma empresa de resseguro, era portanto um homem prevenido e organizado. Sempre manteve uma lanterna com pilhas novas no porta-luvas do carro, além de um recipiente próprio para o transporte de gasolina, porém nunca chegou a usá-los. No apartamento de férias e feriados, em Teresópolis, as escovas de dente eram da mesma cor que as utilizadas no Rio. Ele mesmo mantinha o suprimento multicor, de acordo com os usuários, colocava pasta de dente nas escovas e cobrava de todos a limpeza bucal. No Parque Lage, eu e meus irmãos, explorávamos com ele a pseudo-caverna e depois comíamos batata-frita Guri acompanhada de Grapette. Quando chegávamos em casa ele inventava histórias de uma princesa Mafalda, que vivia no castelinho do parque. No Jardim Botânico os três filhos transformavam-se em almirantes, graças aos seus conhecimentos navais. Em um estaleiro de bolso construía barquinhos de papel, para navegarem em um pequeno riacho de suave inclinação. Durante a ditadura militar lia o Jornal do Brasil e cantava, andando de costas: “este é um país que vai pra frente, ah! ah! ah! ah!”. Vi diversas vezes chegar em casa com um bouquet de rosas para a minha mãe. Nos fins de semana ajudava na cozinha lavando louça. Fazia compras de frutas, legumes e verduras na feira livre, trajando terno e gravata, e depois ia para o trabalho. Os vendedores o chamavam de dono da feira. Aprendi com ele a experimentar sabores e pratos desconhecidos. Conheci o significado e origem de palavras. Tomei gosto por poesia e decorei poemas de Fernando Pessoa, José Régio e Carlos Drummond de Andrade. Descobri dicionários exóticos em sua estante de jacarandá, como o de Termos Toponímicos Tupi-Guarani da Cidade do Rio de Janeiro. Ele cantava músicas sacras em latim, quando eu era bebê, para embalar o meu sono. Mais crescidinho me apresentou os clássicos, as damas do jazz, samba, Noel Rosa, Roberto Carlos, Ravi Shankar e música japonesa. Recebi a notícia da morte de meu pai, quando assistia meu filho Guilherme dançar quadrilha ao som de zabumba, triângulo e sanfona. Soube depois que a última coisa que ele fez foi participar de uma festa junina, saboreando um bolo. Quando chegar a minha hora espero encontrar com ele, cantando o famoso forró: “isto aqui tá muito bom, isto aqui tá bom demais”.
Escrito por bernardore às 13h34
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Barrigudas sorridentes Bernardo Rezende – 08 /05/20210 Clínicas de ultrasom são geladas e têm mulheres barrigudas Algumas andam feito patinhas e acariciam a barriga Como eu admiro estas mulheres, quanta beleza, felicidade! Maravilhosas barrigas, bolas coloridas do parque de diversão Orgulhosas, exibem-se na passarela dos seus sonhos Bundas e peitos cheios, o parceiro vira guarda-costas, Bombeiro, confeiteiro, motoqueiro de entregas urgentes em qualquer lugar, de qualquer coisa, a qualquer hora Numa manhã de quarta-feira estive numa dessas clínicas Cisto renal simples de conteúdo límpido, maravilhoso Cresce no terço médio inferior, acompanhamento anual Andei feito pato, com quase 800 ml de urina na bexiga, mas já fui guarda-costas da minha barriguda mulher Ela ria à toa e tomou picolé de limão, seguido de sopa de pimenta em um restaurante chinês, ligui, ligui, ligui, lé Numa noite de inverno, sem saber que eram dois Na véspera do super, mega, esplêndido ultrasom A Cris passou a rir mais ainda à toa Jamais a vi tão feliz, tão barriguda sorridente! Volta agora alegria gemelar, trimelar, quadrimelar O Gui não esteve na sua barriga, mas nos seus desejos Na sua longa viagem solitária, por cidades quentes e áridas Nos trâmites burocráticos, nas ausências de juízes, em entrevistas Infindáveis telefonemas, documentos, esperas e procuras Ele nasceu no sorriso da rodoviária, com um simples ventinho no pescoço Na plantinha da janela regada pelo pequeno jardineiro Soprou peninhas brancas para o céu, com você, na garagem Isto também é nascimento Você fez nosso pequeno menino bebê caramelo renascer Você é mãe das salas de espera, de clínicas de utrasom e juizados
Escrito por bernardore às 10h38
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Essencial
Bernardo Rezende
27/04/2008
Desejo de poetas e amantes
Expresso em noite de outono
No alpendre da vovó
Estende os braços
Arregala os olhos
Pedido sedutor para o holofote de
estradas escuras,
casas de sonhos,
amores sem fim.
— Senta aqui Lua!
Quando crescer não esqueça
Fale de coisas impossíveis
Todos querem ouvir
Basta observar
Sentir
Olhar
Declarar
Continue puxando, delicadamente,
bigodinhos de gatos.
Descobertas do mundo
Lembre das imitações:
uivos caninos,
cocoricós sem relógio,
choros de poucos meses.
Mantenha a firmeza
de Nãos, Nãos
Sempre que necessário
Preciso aprender com você
A voz sai clara e grave
Balança a cabeça
Direita, esquerda, direita, esquerda
Quando há insistência a voz cresce
Levanta o dedo indicador
Reforça o que a cabeça já disse
Meu filho descobre pequenos detalhes
Somente dois anos
Em caixinhas de leite,
revistas de moda,
vitrines adultas.
Curiosidade por toda a vida
Risadas gostosas
Declarações lunares
Segue feliz.
Escrito por bernardore às 16h10
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Hoje tem
Bernardo Rezende
fevereiro de 2007
Mulheres aracnídeas são estrelas em sessões privé.
Sobem pelas paredes de quartos familiares.
Os gritos são ouvidos na porta do condomínio.
O bebê chora e tudo pára.
Os peitinhos viram tetas, só por uns instantes.
Transrecomposição imediata em qualquer ordem:
gata, aranha, vaca holandesa........
Passos sem barulho em patinhas forradas de borracha.
Foi apenas um intervalo do primeiro ato.
O lustre espera a mulher trapezista.
Espectador único. O ingresso foi entregue com taça de vinho.
Não há roteiro, ficha técnica, nem ao menos um ensaio!
Ela é rápida e leve, o lustre agüenta.
Desce logo, são muitas patas. Quantos olhos!
Equilíbrio circense de bióloga observadora.
Paralisação total, se movimentar morre.
O animal de hoje é perigoso!
Poupe minha vida, inventa outro bicho.
Digitalizei seu personagem enquanto estava no teto.
Exibo com orgulho para amigos da cerveja.
Os cowboys sacam rapidamente os celulares.
Uma competição de espetáculos!
Cenas inimagináveis, datas comemorativas e reconciliações.
Profissões exóticas e comuns.
Foram cursos escondidos e poucas compras.
Muito mais dedicação.
Em todas as imagens havia lustres.
Segredos e habilidades das alturas.
Escrito por bernardore às 15h45
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Avental Verde
Bernardo Rezende
fevereiro de 2007
Estúpido avental de não sei que tecido.
Ingresso da sala gelada, de equipamentos pim pim
Somos umas almas penadas.
Visitas intrusas e idiotas,
não sabemos se nos ouvem.
Falamos para nós mesmos.
Deuses terrestres falam uma língua própria.
Tem que perguntar. Causas, até quando...
Não pode ter medo. Traduz aqui para o burro.
Não estudei sua língua!
Os deuses não sabem de coisas da noite.
A galera entubada levanta e toma cachaça.
Procedimentos inúteis! Expurgos da mente.
Onde estão os compêndios e os anais da medicina?
Desfile de palavras e exames.
Brinca de cura. Imagina tanta coisa.
Chama o neurocirurgião.
Vamos dar as mãos, abram as cortinas dos boxes!
Levantem com as roupinhas azuis. Façam caretas, quebrem o pim pim.
Mostrem suas bundas para os assessores dos deuses.
Vocês são capazes de uma rebelião.
A morte é uma invenção da Santa Casa da Misericórdia.
Combinação de mafiosos terrestres e do além.
Acorda, galerinha de azul!
Lá fora deu praia, parou de chover.
Os verdes chegaram, a farsa acabou.
O mundo chama vocês, cachaceiros da noite.
Escrito por bernardore às 12h57
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Cor da Vida
Bernardo Rezende
janeiro de 2007
Esqueça um pouco os cadáveres necessários.
Acabaram-se as revoluções.
O vermelho jorra para as bolsinhas.
Confortáveis poltronas no lugar do paredão.
Somos voluntários, já não há traidores.
O vermelho é a vida.
Foi preciso em outros tempos ser a morte.
Desvio a mente da sensação de estar murchando.
Lembro de uma experiente e sensível jornalista.
Ela me ensinou a ler paredes.
Que jeito diferente de medir a pressão!
A ansiedade acabou.
São apenas 450 ml, abre e fecha a mão.
Sorrisos no lanche, com direito a olhares penetrantes.
O rapaz-senhor é sangue bom!
Quantos anos ele tem?
A hematologista ficou na sala de coleta,
agora desfila de mulher.
Ahhh! Que longos caninos!
Que olhos brilhantes!
Hoje não é dia de excessos.
Beba muita água.
Cuidado com seu pescoço.
Equipe de loiras sedutoras.
Tudo muito bom, cuidados anti-ético.
Olhos de morango e unhas anti-hospitalar.
Na primeira doação virei escravo.
Onde está o seu castelo? Oh, vampira residente!!!!
Eu vi sua boca salivando,
quando bombeava o meu sangue.
Homens daqui a sessenta dias.
Resta apenas esperar o calendário.
Escrito por bernardore às 16h03
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