Hoje tem
Bernardo Rezende
fevereiro de 2007
Mulheres aracnídeas são estrelas em sessões privé.
Sobem pelas paredes de quartos familiares.
Os gritos são ouvidos na porta do condomínio.
O bebê chora e tudo pára.
Os peitinhos viram tetas, só por uns instantes.
Transrecomposição imediata em qualquer ordem:
gata, aranha, vaca holandesa........
Passos sem barulho em patinhas forradas de borracha.
Foi apenas um intervalo do primeiro ato.
O lustre espera a mulher trapezista.
Espectador único. O ingresso foi entregue com taça de vinho.
Não há roteiro, ficha técnica, nem ao menos um ensaio!
Ela é rápida e leve, o lustre agüenta.
Desce logo, são muitas patas. Quantos olhos!
Equilíbrio circense de bióloga observadora.
Paralisação total, se movimentar morre.
O animal de hoje é perigoso!
Poupe minha vida, inventa outro bicho.
Digitalizei seu personagem enquanto estava no teto.
Exibo com orgulho para amigos da cerveja.
Os cowboys sacam rapidamente os celulares.
Uma competição de espetáculos!
Cenas inimagináveis, datas comemorativas e reconciliações.
Profissões exóticas e comuns.
Foram cursos escondidos e poucas compras.
Muito mais dedicação.
Em todas as imagens havia lustres.
Segredos e habilidades das alturas.
Escrito por bernardore às 15h45
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Avental Verde
Bernardo Rezende
fevereiro de 2007
Estúpido avental de não sei que tecido.
Ingresso da sala gelada, de equipamentos pim pim
Somos umas almas penadas.
Visitas intrusas e idiotas,
não sabemos se nos ouvem.
Falamos para nós mesmos.
Deuses terrestres falam uma língua própria.
Tem que perguntar. Causas, até quando...
Não pode ter medo. Traduz aqui para o burro.
Não estudei sua língua!
Os deuses não sabem de coisas da noite.
A galera entubada levanta e toma cachaça.
Procedimentos inúteis! Expurgos da mente.
Onde estão os compêndios e os anais da medicina?
Desfile de palavras e exames.
Brinca de cura. Imagina tanta coisa.
Chama o neurocirurgião.
Vamos dar as mãos, abram as cortinas dos boxes!
Levantem com as roupinhas azuis. Façam caretas, quebrem o pim pim.
Mostrem suas bundas para os assessores dos deuses.
Vocês são capazes de uma rebelião.
A morte é uma invenção da Santa Casa da Misericórdia.
Combinação de mafiosos terrestres e do além.
Acorda, galerinha de azul!
Lá fora deu praia, parou de chover.
Os verdes chegaram, a farsa acabou.
O mundo chama vocês, cachaceiros da noite.
Escrito por bernardore às 12h57
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